Feira notura?

Má e os tomates

Eu adoro feira livre, desde criança é um dos meus passeios prediletos! Curto o ambiente, o papo com feirantes, a profusão  de cores e cheiros, sem falar  no gosto peculiar do pastel com garapa que encerram o programa! Mas confesso aqui que as demandas da vida cada vez mais dificultam uma ida à feira, que em geral acontece durante a semana e pela manhã, horário em que a maioria já está no batente…

Quando morávamos em Brasília, eu e o Má batíamos cartão na Feira do Guará todo sábado pela manhã. De lá saímos com o porta-malas cheio de coisas gostosas para preparar para os amigos, que invariavelmente chegavam em casa por volta do meio dia! Era uma festa. Além das compras, tomávamos o café da manhã na própria feira: pamonha, milho assado, água de coco, pastel, garapa, melancia… só de lembrar dá uma saudade danada. Era uma das grandes alegrias da vida em Bsb.

Cindoca em plena sobremesa

De volta à Sampa voltamos a frequentar a feira da Vila Madá, que também acontece aos sábados e acaba virando ponto de encontro com os amigos. Mas depois, por conta dos eventos na Cozinha da Matilde, acabamos rareando as nossas idas e entramos em abstinência de feira. :)

Mas eis que, há mais ou menos um ano, uma amiga me apresentou o Varejão Noturno do CEAGESP que acontece às quartas. O inusitado é que começa logo depois que as outras feiras livres terminam. Isso mesmo, começa às 16h00 e termina às 22h00. Até umas 18h30 parece uma feira comum, a partir deste horário a coisa muda: começa a chegar uma horda de gente que acabou de largar do batente, todo mundo com roupa de escritório e a coisa vira um grande happy hour.

Isso porque além das tradicionais barracas de frutas, legumes, ovos, peixes, frios… tem uma praça de alimentação incrível, cheia de mesinhas e dá-lhe comida de rua de primeira: pão com calabresa, acarajé, pamonha, yakissoba, pastel, garapa, espetinhos, pernil e por aí vai, comida honesta para todos os gostos & bolsos e muita cerveja gelada.

E tem mais, estacionamento gratuito, carrinhos de supermercado para as compras e banheiro limpíssimo para a clientela. Feira cinco estrelas!

Eu tenho meu roteiro de apreciação: primeiro compro os legumes, folhas, queijos e então vou comer. Muitos petiscos e cervas depois… me jogo nas bancas de frutas, experimento tudo o que tem (sobremesa de primeira) e compro as frutas para a semana!

Ficou com vontade? Vá lá: quartas-feiras: 16h às 22h – no Pavilhão PBCF – entrada pelo portão 7

Três anos depois...

Não posso mais lançar mão de um longo e tenebroso inverno para justificar a ausência de quase 3 anos sem nenhuma postagem… 3 invernos rigorosos se passaram e muita água (especialmente aqui em Sampa) embaixo da ponte…

Nestes 3 anos, mergulhei de cabeça em uma nova aventura. De cozinheira dos amigos, passei a cozinheira de amigos dos amigos e depois de gente que eu nunca havia colocado os olhos antes. O que antes era paixão, virou profissão.

E nestas, apareceu um blog novinho em folha para ser feito, além das panelas cotidianas para administrar… mas 126 postagens depois, o Cozinha da Matilde caminha por si só. Decidi que era hora de dar um bocadim de chamego à minha primeira cria, este blog aqui, que me ensinou o que era um blog e me abriu as portas para um mundo novo, muito divertido e instigante!

Nada mais justo que, depois de anos de negligência, o filhote ganhasse roupa nova. Mas uma andorinha só nunca faz verão e o blog novo só foi possível graças a ajuda de amig@s querid@s: Lucia Freitas, Beto André, Cindy Corrêa, Gabi Butcher, Denize Barros e o Bruno Graell – Arigatô, meus querid@s!

Como eu ia dizendo, muita água passou debaixo da ponte nesses anos: o Dix Bar fechou suas portas, o Lírico também. Com eles boa parte da minha vontade de escapar até o centrão para o almoço se perdeu… O Genésio aqui da Vila, tirou a empadinha de alicce com tomate seco do cardápio, protesto desde então todas as vezes que vou até lá, mas vou malhar bastante e um dia ainda viro garota do calendário deles e quem sabe convenço o Raimundo a pelo menos um revival.

O Vavá morreu em pleno serviço, servindo o melhor PF da cidade. “Seo” Vacareza – dono do Royale (apelidado de bar do Vavá em homenagem ao garçom mais querido) – também se foi, infarto, fulminante… e o Bigode, lendário garçom do restaurante A Sogra foi outro que morreu…

Melhor mudar o rumo da prosa que isso aqui tá mais para obituário que blog de comida, mas a verdade é que todos eles, alem de pessoas muito bacanas, serviam comida honesta de primeira e aí não dava para deixar de falar.

Mas coisas boas também aconteceram: devido à demanda da Cozinha da Matilde virei freqüentadora assídua da zona cerealista, e isso promete alguns bons posts. Descobri também onde comprar sacas de 25k de pequi, e ainda adotei um açougue incrível como melhor açougue de infância. Muitos comedores novos se abriram pela Vila Madá e o Frutos do Cerrado, meu picolé predileto, chegou por aqui também!

E mais: descobri uma feira muito bacana (e noturna), com a melhor comida de rua de São Paulo, alem de frutas, peixes e verduras incríveis. A Liberdade também foi bem explorada nestes anos, inúmeras portinhas foram acessadas e muita comida devidamente devorada. E como tudo pode ficar melhor, descobri o melhor japa para almoçar (e jantar também!) sem preocupação com o valor da conta.

Tudo isso e mais algumas viagens bacanas que eu fiz por aí (afinal, ninguém é de ferro!), conteúdo de sobra para muitas postagens e muitas dicas honestas. Hora de arregaçar as mangas!

Conto com a audiência de sempre  e aos poucos as novidades vão pipocando por aqui, fique de olho! E não se esqueça:

Foto: Gabi Butcher

Sobre pé sujo

Uma super dica de nosso correspondente goiano João da Silva, desta vez sobre a definição e a higiene dos bares pé-sujo:

Quando se fala que um lugar é ’sujo’, a gente normalmente quer dizer que o espaço público do lugar é sujo. Na verdade isso não quer dizer grgande coisa em termos de higiene. O que conta mesmo é se o espaço privado (a cozinha, depósito de ingredientes, etc) é suja ou não.

Muitos lugares pequenos & populares mantêm o espaço público meio encardido como uma tradição e como uma forma de atrair clientes (muita gente passa ao largo dos lugares muito asseados, temendo que sejam caros demais para suas posses). O que não quer dizer que a comida seja pouco higiênica.

Normalmente, se um lugar é bastante frequentado por gente que não é da vizinhança, sua comida vai ser asseada: o bom-senso popular rejeita rapidamente os lugares onde a comida não é higiênica. Mais ou menos como restaurantes de camioneiros na beira da estada, quando tem muitos caminhões parados na porta a comida costuma ser boa.

Uma dica boa – costuma funcionar sempre que a aplico – é dar uma olhada atrás do balcão. O último lugar que alguém pensa em limpar num restaurante popular é atrás do balcão. Ele não é parte do espaço público, logo limpá-lo não atrai clientes; e a vigilância sanitária só se importa mesmo com a cozinha & a estocagem de alimentos.

Então, se atrás do balcão está limpo, é porque os donos são extremamente asseados. E a comida com certeza também. Já vi muito restô menos popular (ou nada popular) onde o salão é impecável mas atrás do balcão… argh! Não como neles.

Comida Pernambucana

Querendo conhecer mais sobre a comida Pernambucana, vale a dica:

“Comida e Tradição receitas de família” de Nininha Carneiro da Cunha
São 780 receitas da mais tradicional cozinha pernambucana, organizadas segundo datas comemorativas, típicas da cultura do Estado. O manuê, doce à base de mandioca, aparece nas festas juninas; o aferventado de bacalhau, preparado com maxixe, compõe a mesa da Semana Santa; enquanto o bolo do diabo, com ameixas e vinho do Porto, é uma herança da “botada”, festa da época dos engenhos de cana-de-açúcar que marcava o início da colheita. O prefácio é de Gilberto Freyre.

Mais sobre SARAPATEL

Para quem se animou com o sarapatel, fique sabendo:

Sarapatel é um alimento típico da culinária do Nordeste brasileiro, principalmente da Bahia. É feito com tripas e outras vísceras de porco, além do sangue coalhado e cortado em pedaços. Uma das características da iguaria é seu teor de gordura, bastante acentuado por causa da presença de pedaços de toucinho e da tripa. Durante o cozimento acrescenta-se folha de louro e uma ou duas grandes pimentas-de-cheiro inteiras. Serve-se o prato acompanhado de farinha e/ou de arroz.

Para fazer um sarapatel:

Ingredientes:

• 1 kg de miúdos de porco (coração, fígado, rins, bucho, tripas, junto com o sangue já coagulado)
• 1 limão
• Água fervente
• 1/2 xicara (chá) de óleo
• 1 xícara (chá) de vinho tinto
• 1 cebola roxa grande picada
• 3 dentes de alho bem amassados
• 1 pimentão verde
• 1 pimentão vermelho
• Cheiro verde
• Salsinha
• Cebolinha
• Coentro
• Sal a gosto

Prepare assim:
Pique todos os miúdos e esprema o suco do limão sobre eles, deixando descansar por 10 minutos. Em seguida, escalde com bastante água fervente;
Em uma panela grande, despeje o óleo e os temperos e refogue com um pouco de água;
Acrescente os miúdos de porco e o vinho tinto, resultando num cozido com caldo.

Leite e Parraxaxá

Em Recife, finalmente conhecemos o Restaurante Leite, inaugurado em 1882, é o restaurante mais tradicional de Recife, um restaurante lindo, luxuoso e nada barato, mas com uma comida impecável.

Experimentei vários pratos, mas o que me cativou mesmo foi o sarapatel, foi a segunda vez que provei da iguaria, e desta vez entrou pra meu rol das minhas comidas preferidas, acompanhado de uma farinha quebradinha de Pernambuco… uma delícia!

Ainda em Recife, comi novamente sarapatel, desta vez de bode, no Parraxaxá, um restaurante por quilo só de comida nordestina, muito bom e com preço bem camarada. Aproveitei para também experimentar a famosa buchada de bode, adorei, me lembrou a infância em Tocantins, quando sempre comíamos a buchada feita pela D. Ana, no ribeirão, espécie de clube da cidade em que eu vivia.

Indo à Recife dê uma passadinha:

Restaurante Leite
Endereço: Praça Joaquim Nabuco, 147, Santo Antônio

Restaurante Parraxaxá
Rua Baltazar Pereira, 32, Boa Viagem
Avenida 17 de Agosto, 807, Casa Forte

TAPIOCA

Confesso aqui que sempre achei tapioca meio besta. Quando morava em Tocantins, eram comuns os lanches da tarde com tapioca. Em Brasília, sempre fazia para as visitas que ficavam em casa, achava charmoso servir uma tapioca com queijo de coalho no café da manhã… Mas a verdade é que nunca me empolguei com a iguaria… Isso até experimentar a tapioca do Josias, em Olinda: S E N S A C I O N A L!!!

Ele fica com outros tapioqueiros na praça principal, no centro histórico, é uma barraquinha atrás da outra, fomos com a cara da dele, limpinha, organizada, ele muito simpático… Pedimos uma cartola, tapioca recheada com queijo de coalho, banana e coco fresco, ele também coloca leite condensado, mas pedimos a nossa sem… perfeita, recheio na medida certa, a massa assadinha no ponto e quente, muito quente, massa e recheio quentes de queimar a boca da primeira à ultima dentada, deliciosa!

Voltando para Recife, comentamos com o motorista do táxi, ele disse que todas as tapiocas da praça são igualmente boas, confesso que deu vontade de voltar para experimentar das outras, quem sabe nas próximas férias passamos um mês em Olinda experimentando um tapioca a cada dia…

Longo e tenebroso inverno 2

Depois de quase dois meses sem nenhuma postagem, voltamos cheios de novidades!